Auto-destruicao pendente . 2011.E se me destruir o que restarásenão uma breve memória de um nometalvez um rostonaqueles que para trás deixarquem sabe se não me tornarei eternodesafiando para sempre o oblívio do esquecimentoE permaneça latente e ancoradoentre planos e realidadesAssombradoE para sempre só e imatériointemporalmente letárgico e desterradonum limbo como o gume de uma lâminahesitante em procurar o corpoonde se abrigar.Pedro Alves
Funeral . 20102012.Nunca fui aos meus funeraisNão sabia como lidar com a dor; era apenas criançaE a ausência, apesar de ser o sufoco que dura há anosEra algo que não queria sentirSinto-a agora, cada vez mais presenteEm cada divisão da casa, cada rosto que encontro na ruaCada sílaba que ouço e cada segundo que desperdiçoA andar em círculos cujo início é o fimNunca soube como preencher o vazioComo lidar com a falta que me fazem os funerais a que não fuiAs despedidas que não fizPor os acenos e as palavras pesarem mais que qualquer fardoHoje sinto a ausência que de
sem titulo . 30072012.Quando termino a noite a beber sozinhoLembro-me que foi sozinho que comeceiDei assim os primeiros passos, li assim as primeiras palavrasDesconheci-me e reconstruí-me na cegueira da embriaguez ao primeiro tragoAgora sou apenas uma sombra tremeluzente e cambaleanteQue ampara o corpo que se faz de mortoDesistindo de viver deveras lentamente.Pedro Alves